Anemia e Câncer
Por Celso M. Massumoto e Melissa Abreu Pereira
Anemia é a mais comum das alterações hematológicas encontradas em pacientes com câncer sendo decorrente da diminuição do número de eritrócitos (células vermelhas do sangue).
No câncer a anemia pode estar associada à anemia da doença crônica, anemia secundaria ao tratamento, como quimioterapia ou radioterapia, que podem dificultar o funcionamento da medula óssea.
A inadequada oxigenação dos tecidos decorrentes da anemia resulta em sinais e sintomas compensatórios, como aumento da pulsação, aumento da respiração e intolerância às atividades físicas. Fica claro que a correção da anemia é importante para melhor aderência dos pacientes ao tratamento oncológico.
Muitos agentes quimioterápicos causam a destruição temporária de elementos da medula óssea, dificultando o crescimento das células tronco em precursor eritróide e, finalmente hemácias. Drogas como: ciclofosfamida, melfalan, gemcitabina, doxorrubicina e paclitaxel causam a destruição de células-tronco. O tratamento radioterápico também pode destruir células precursoras, porém as células mais maduras são mais resistentes. Assim, a presença de anemia reduz a resposta tumoral à radioterapia.
Define-se anemia quando o valor da hemoglobina é inferior a 12g/dl e o hematócrito, inferior a 36%. As anemias costumam ser divididas em normocíticas normocrômicas, microcíticas hipocrômicas e macrocíticas.
As causas mais comuns de anemia com tamanho normal das hemácias são as neoplasias e os processos inflamatórios crônicos. As causas mais comuns de anemias por carência de ferro são os sangramentos gastrointestinais e o déficit de ferro alimentar. As causas mais comuns de anemia com hemácias aumentadas em tamanho são o hipotireoidismo, a anemia megaloblástica, a síndrome mielodisplásica e as drogas e o álcool.
A anemia relacionada ao câncer tem sido tratada com o emprego de eritropoetina sintética.
A dose para início do tratamento da anemia com eritropoetina em pacientes recebendo quimioterapia é de 150u/kg, 3 vezes por semana. Se não ocorrer resposta após oito semanas de terapia, a dose é aumentada para 300u/kg, 3 vezes por semana. Estudos recentes apresentaram eritropoetina alfa em dose fixa de 40.000u/SC, 1 vezes por semana, oferecendo eficácia e segurança ao paciente, facilitando o seu emprego.
Assim, fica clara e evidente a importância do tratamento da anemia relacionada à neoplasia, com objetivo de melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes com câncer.
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